Como avaliar sua situação de liderança: uma perspectiva de CEO

04 dez, 2017
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Paulo Marcelo, CEO da Resource, é entrevistado pela Mercuri Urval, empresa internacional de Pesquisa Executiva, para analisar sua situação de liderança. Confira matéria!

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No artigo “Como avaliar sua situação de liderança única”, discutimos como analisar sua situação de liderança única em termos de seu escopo, distância e ritmo. Neste artigo, vamos ilustrar o conceito explorando as diferenças entre liderança global e local. Embora faça parte da mesma organização, a situação de um líder local difere muito da situação de um líder global. Quais são os requisitos que distinguem as duas funções e como alguém pode se tornar bem-sucedido nas diferentes funções de liderança da sua organização?

Para elaborar estas questões, nos sentamos para uma entrevista com Paulo Marcelo. Como CEO da empresa multinacional brasileira Resource IT, ele atualmente lidera mais de 2500 profissionais espalhados por mais de 20 unidades, em cinco países diferentes.

Com sua profunda experiência nas principais empresas multinacionais, além de ser um líder local em uma empresa global, Paulo adquiriu uma perspectiva holística sobre as diferenças cruciais entre a liderança local e global e como elas se relacionam.

“A liderança bem-sucedida só é possível se você consegue colocar-se na posição da pessoa do outro lado. Líderes globais e locais estão interligados e precisam entender as realidades uns dos outros”, diz Paulo.

O que você vê como sendo a principal diferença entre a liderança global e a local?

“Uma das diferenças mais óbvias é a dimensão da distância, que tem uma profunda influência na situação de liderança. Embora a tecnologia nos permita minimizar a percepção da distância, estar presente em vários mercados sempre significa ter que gerenciar diferentes culturas e contextos locais. Entender e respeitar adequadamente essas diferenças culturais é fundamental para líderes globais e locais”, afirma Paulo.

À medida que uma organização se expande em mercados e países com diferentes culturas e condições, a liderança torna-se uma tarefa muito mais complexa e desafiadora. Segundo Paulo, a chave para o sucesso é ter uma finalidade e objetivo compartilhados bem definidos em toda a organização.

“Para orientar com sucesso uma organização global, você precisa definir um propósito e objetivo compartilhados. É responsabilidade do líder global desenvolver a visão geral de onde queremos ir, enquanto a tarefa dos líderes locais é traduzir o propósito e o objetivo em sua própria realidade local. Assim, ser um líder global não se trata de controlar os meios para alcançar o objetivo passo a passo, mas sim de controlar o destino final ao qual as diferentes partes da organização estão trabalhando”.

Então, como você, como líder local, traduz com sucesso o propósito compartilhado e o objetivo da organização em sua própria realidade?

“Como líder local, é necessário conhecer a realidade do seu mercado e ser capaz de integrar o objetivo da organização global. Todo mercado difere em termos de maturidade, penetração no mercado etc., porém ninguém entende as características dos diferentes mercados locais como os líderes locais. É sua responsabilidade encontrar o melhor caminho para alcançar o propósito compartilhado e objetivo local, e cada líder local terá que encontrar seu próprio caminho, dependendo da realidade do mercado”. Um desafio comum entre os líderes locais é, de acordo com Paulo, priorizar sempre o objetivo da organização global.

“A realização dos objetivos deve centrar-se nos interesses de toda a organização, em vez de simplesmente no que pode ser alcançado localmente. Um líder local bem-sucedido tem a sensibilidade e o senso de urgência necessários para fortalecer os interesses das organizações, sempre atuando em conformidade com a liderança global”, explica Paulo.

Como você, como líder global, garante que os líderes locais atuem sobre o objetivo compartilhado?

“É absolutamente fundamental para a liderança global ter seus líderes locais alinhados e sintonizados com os objetivos da organização; mantendo-os em sincronia com as expectativas globais, motivando e conectando as partes. Não só você precisa conseguir comunicar-se de forma coerente e demonstrar paixão e ambição, mas também precisa entender completamente as realidades dos líderes locais”, diz Paulo.

Ele enfatiza a importância de reduzir a percepção da distância, estando fisicamente presente nos mercados locais.

“Como líder global, não se deve subestimar a importância de visitar seus líderes locais e seus mercados. Para entender as expectativas de seu pessoal, o ambiente e como isso transforma a realidade e o comportamento das pessoas, você realmente precisa estar presente nos mercados locais.”

Além da distância, o ritmo também foi identificado como uma dimensão que influencia a situação de liderança no artigo “Como avaliar sua situação de liderança única”. De acordo com Paulo Marcelo, encontrar um ritmo comum para atingir o propósito e objetivo da organização é fundamental para o sucesso.

Como você coordena com sucesso o ritmo dentro de uma organização?

“Como líder global, é necessário sincronizar a organização, de modo que todas as partes alcancem o objetivo comum juntas, no momento “certo”. Embora possa ser tentador, não há nenhum sentido em se atingir o objetivo mais cedo dentro de um mercado, se o tempo não for sincronizado visando maximizar os resultados”, diz Paulo.

Basicamente, você deseja que todos os mercados locais atinjam o objetivo comum ao mesmo tempo, da maneira que melhor se adequa à realidade de cada mercado. Para fazê-lo com sucesso, a organização precisa de altos níveis de comunicação e colaboração entre líderes globais e locais altamente diligentes.

Paulo usa sua própria organização para ilustrar: “A visão de nossa organização é ” mais perto, mais rápido e melhor”. Isso é compartilhado por toda a organização, defendendo a excelência do serviço, a proximidade com o cliente e a agilidade em nossas soluções. Como líder global, eu discuto com os líderes locais a forma como essa visão se traduz em seu mercado e cultura local, encontrando as soluções certas, a estratégia do mercado e o portfólio de produtos. Essas escolhas são continuamente revisadas, dando, assim, a oportunidade a todas as partes interessadas de desafiarem as ideias e validarem o comprometimento”.

O que acontece quando os líderes locais não se comprometem?

“A reação inicial seria culpar a organização local e pensar que a mudança da liderança local seria a solução. No entanto, os líderes não podem mais simplesmente impor ideia; eles precisam influenciar o comprometimento de seus seguidores, conectando-se emocionalmente. Então, não seria mais provável que a raiz do problema fosse a má comunicação e a incapacidade dos líderes mundiais de estabelecer um propósito e visão inspiradores?”, pergunta Paulo, retoricamente.

No entanto, gerenciar a falta de compromisso ou desalinhamento é um desafio comum entre líderes globais, segundo Paulo Marcelo.

“Quando isso acontece, os líderes locais devem obter o apoio total da liderança global. Dar espaço às pessoas e deixá-los expressar suas opiniões e pontos de vista desafiadores são ferramentas importantes”.

Com base na sua experiência, qual o seu melhor conselho para alguém que procura se tornar um líder global ou local de fato?

“Eu tive a chance de trabalhar em ambos os lados e acredito firmemente que a capacidade de entender a realidade dos outros é extremamente importante para os líderes mundiais. Qualquer que seja a tarefa que executem hoje, eu me lembro quando eu era um líder local e levava isso em consideração para melhorar o diálogo e garantir que a outra parte se sentisse envolvida e tivesse “voz”. Como líder local, você precisa ser enérgico para enfrentar os desafios do seu mercado, sensível a compreender a posição dos demais e resiliente para se adaptar e encontrar caminhos alternativos para alcançar o objetivo”, diz Paulo, que prossegue dizendo:

“A liderança é como executar uma maratona. Você precisa ter uma visão de longo prazo, em uma jornada que só será concluída se cada estágio for bem-sucedido. Alguns metros bem-sucedidos são os que nos permitem finalmente chegar à linha de chegada. O presente torna o futuro viável, e ter um futuro é o que alimenta o presente.”

Redatora:
Sylvie Faria é diretora no Mercuri Urval Brasil. Ela tem uma vasta experiência em liderança internacional, Pesquisa Executiva e Assessoria de Liderança e Talento para empresas internacionais de médio e grande porte. Sendo ela mesma canadense, possui experiência em primeira mão sobre a liderança de diferentes dimensões em uma organização internacional.

Colaborador:
Paulo Marcelo tem mais de 25 anos de experiência no mercado de tecnologia da informação, com uma sólida experiência em planejamento estratégico e gerenciamento de P&L. Paulo Marcelo é visto como um líder na concepção intelectual da Transformação Digital, tendo sido o orador principal e escrito artigos sobre inovação e gestão. Paulo também é membro do conselho da Brasscom (Associação Brasileira de Tecnologia da Informação) e é membro do grupo de CEOs da American Chamber of Commerce.

Fonte: Mercuri Urval
Matéria original:https://www.mercuriurval.com/global/institute/insights/how-to-evaluate-your-unique-leadership-situation-a-ceos-perspective/

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